A Radio unabafa entrevista hoje Thaisa Andrade fundadora do projeto ECOAR .
A Radio unabafa entrevista hoje Thaisa Andrade fundadora do projeto ECOAR .

1. Quem é você e o que é a ideia do projeto?*
Meu nome é Thaisa Andrade. Sou mãe, mulher, sobrevivente. O ECOAR não nasceu de um sonho — nasceu da dor.
Eu vivi um relacionamento abusivo, sofri violência sexual, emocional e institucional.
Mesmo com laudos, boletins e provas, fui ignorada pela Justiça.
Escrevi meu livro como um grito. Não por vaidade, mas por sobrevivência.
E o projeto ECOAR é isso: transformar dor em voz. Silêncio em denúncia.
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*2. Quando percebeu que outras mulheres estavam passando pelas mesmas coisas?*
Depois que publiquei meus primeiros textos, começaram a chegar mensagens de outras mulheres dizendo:
“Eu também.”
A dor que eu achava que era só minha… era coletiva. Era estrutural.
Foi aí que eu entendi que precisava parar de implorar acolhimento — e começar a construir acolhimento.
Assim nasceu o ECOAR.
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3. Qual é a ideia central do projeto?*
O ECOAR existe pra acolher, educar, denunciar e mobilizar.
Enquanto o sistema continuar falhando com as mulheres, nossa voz vai continuar se levantando.
Minha missão é essa: transformar meu grito em política pública. Mostrar que nenhuma mulher está sozinha.
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*4. Por que você fez uma manifestação para a Corregedoria-Geral de Justiça?*
Porque mesmo com provas fortes contra meu agressor — laudos, prints, boletins — a Justiça me ignorou.
A prisão foi negada, a juíza desconsiderou documentos do próprio Judiciário.
Tentaram usar meu sofrimento psicológico contra mim.
Minha manifestação foi um grito de socorro. Feita sem advogado. E foi aceita.
Menos de 3% das vítimas chegam até esse ponto. Eu precisei deixar registrado:
*Fui silenciada, mas não me calei.*
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*5. O que significa ECOAR no seu projeto?*
ECOAR não é sigla.
É o ato de *romper o silêncio* que o sistema impõe.
É fazer a dor ser ouvida.
É transformar uma voz em rede. Uma cicatriz em denúncia.
É dar continuidade ao grito de quem não foi escutada — e transformar isso em mudança.
*6. Considerações finais*
O ECOAR não é só sobre mim.
É sobre todas as mulheres que foram desacreditadas, expostas, silenciadas.
Hoje, saber que minha manifestação foi aceita sem advogado já é uma vitória coletiva.
Enquanto houver omissão, haverá resistência.
*ECOAR é a nossa resposta ao silêncio da Justiça.*
